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sábado, 17 de março de 2012

Terra em sangue

O sangue é bem conhecido, é a seiva da vida.

Não é necessário que um cientista examine e diga o que é sangue, todos sabemos, desde o dia que nascemos, sabemos o que é sangue.

O Sangue da Terra tem cheiro e cor de sangue, inconfundíveis...

O Sangue da Terra está no ar, nos rios, nas florestas, na multiplicidade das espécies, no vento, no trovão, nos relâmpagos, na atmosfera, nas entranhas geológicas, nos oceanos, e é visível que a Terra está sangrando, por todos os poros...

Ouça os gemidos da Terra...

Sinta o sabor do Sangue da Terra...

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Escute os sussurros agonizantes das espécies...

Os golfinhos, a espécie mais inteligente na planetária escala evolucionária biológica, agonizam e morrem nas areias das praias escaldantes, desorientados pelas mudanças geomagnéticas...

As Baleias, sensíveis, alegres e extrovertidas, agonizam nos oceanos oxidados...

A diversidade dos pássaros, sufocados pelo ar irrespirável, dizimados pelo progresso humano...

Os  elefantes, de ternura incomum, dependentes de laços familiares insuspeitáveis, murmuram seus gemidos nas savanas destruídas...

A Terra geme, agoniza convulsivamente, enquanto suas entranhas repercutem os ferimentos causados pela ação de uma espécie insana, que deveria proteger a sagrada e intocável natureza...

O Sangue das árvores é derramado no solo infecundo, devido a ação dos agrotóxicos...

Os oceanos transformados em sangue envenenado para todas as espécies marinhas...

As águas oceânicas, líquido amniótico de todas as espécies, escurecido, pegajoso e mortal, gerando um veneno mortífero, gases e fluídos nocivos, impregnado do petróleo destilado pelos furos nos leitos dos oceanos...

As biodiversidades dos manguezais e planaltos, afugentadas, sem destino, diante do avanço da ganância ilimitada de uma espécie insana...

Os ventos borrifam o Sangue da Terra na atmosfera,  nas esquinas dos últimos dois séculos de invasão predatória dos espaços vitais, berços biológicos que a Mãe Natureza construiu ao longo de milhões de anos...

O Sangue da Terra está sendo derramado pela boca dos vulcões adormecidos, agora despertados pelo ruído ensurdecedor da invasão de uma espécie insana,  que não respeita os deuses e divindades canonizadas até por outras espécies...

O Sangue da Terra jorra dos bueiros das estradas urbanas...

O Sangue da Terra brota nos rios poluídos, causando uma hemorragia irreversível...

O Sangue da Terra jorra nos bolsões de miséria e escravidão do Continente Africano...

O Sangue da Terra é despejado pela boca dos canhões em guerras que comprovam a bestialidade de uma espécie, que tem a ousadia de julgar-se semelhante ao presumido criador...

O Sangue da Terra, provocado pela impermeabilização dos sentimentos, e a destruição da capacidade de sentir a dor dos próprios semelhantes...

O Sangue da Terra, derramado pelas geo-políticas imperialistas, economias escravizantes, preconceitos bestiais, ideologias diabólicas, interesses econômicos e pessoais inconfessáveis...

O Sangue da Terra, derramado no altar das Pátrias Assassinas, e dos Deuses Sanguinários, que sacrificam e derramam o sangue de seus próprios filhos, súditos e adoradores...

Dia da Terra
Brasil, Curitiba, 17 de março de 2012 - 18h:00